Boa tarde! Algum de vocês gosta de ler escutando música? É perfeito, principalmente quando a música se encaixa no momento do livro, né? Pois bem, a Jaqueline Cristina escritora do livro 'A Origem da Rosa' fez uma seleção de músicas que combinam com os capítulos do livro e mandou pra gente! E não é só isso, você vai poder ler o primeiro capitulo do livro enquanto escuta a música *-*. Eu fiz o teste e o resultado é que agora estou viciada na música e louca pra terminar o livro (preciso arrumar dinheiro pra comprar), obrigada, Jaq! Então, apreciem:
Breathe Me - Sia (Instrumental)
Primeiro capítulo de 'A origem da Rosa':
01.SIA - Breathe Me ( Instrumental)
Era uma vez, um reino muito poderoso, suas terras eram extensas e muito belas, tudo era de posse do rei. Nos quatro cantos de seu território tudo era magnífico, lindas paisagens, necessitava de três dias de viagem para percorrer todo o reino. O rei Bernard era muito querido e admirado por todos os moradores por sua forma de cuidar do reino, sempre presente, visitava constantemente cada vila do reino para manter a ordem e o sustento de seu povo.
No quinto ano do seu reinado, o reino todo se reuniu para a comemoração anual que acontecia na primavera, todos estavam presentes no grande salão do castelo principal do rei. A decoração estava belíssima, muitas flores formando arranjos enormes que se espalhavam por todo lado, as cortinas haviam sido trocadas por cortinas vermelhas com bordados em ouro, em cada mesa tinha flores e velas - estavam cobertas com toalhas brancas com o mesmo bordado das cortinas. Cada convidado estava muito bem acomodado e os criados do rei traziam um bom vinho para todos.
Enquanto a música tocava suavemente era servido o jantar, a rainha Lílian se levantou de seu lugar a mesa e se dirigiu até Bernard, Sophi e Henry estavam comendo bolo, duas criadas os ajudavam a comer, tinham quatro anos, os gêmeos eram muito agraciados no reino.
- Querido, preciso lhe dizer algo. – Ela falou baixinho em seu ouvido para que apenas ele a ouvisse.
- Sim meu amor, o que foi? Está tudo bem? – ele a olhou ternamente enquanto ela se sentava ao seu lado e puxava a cadeira para mais próximo dele.
- Estou me sentindo um pouco enjoada e fraca, vou para meu quarto, você pode pedir desculpas aos convidados por mim?
- Claro que posso Lílian, mas você quer que eu mande alguém para cuidar de você?
- Não querido, estou apenas indisposta – ela colocou sua mão em cima da dele para acalmá-lo – estou bem, preciso apenas descansar.
- Assim que todos saírem, irei vê-la.
Ele a beijou na mão e a acompanhou até a porta do salão onde uma de suas criadas a esperava para levá-la até o quarto. Antes de fechar a porta ela olhou para os gêmeos que estavam fazendo guerra de comida com os restos do bolo que comiam e quando eles olharam para ela, ela acenou com a mão lhes dando boa noite. Eles retribuíram o gesto e continuaram brincando, Bernard voltou para sua mesa e tentou fazer com que as crianças não fizessem muita bagunça na ausência da mãe. Ao chegar em seu quarto
Lílian se deitou e pediu que trouxessem uma xícara de chá quente para ela, as criadas a cobriram deixando ela perfeitamente aninhada em sua grande cama.
- Queria agradecer a todos pela presença e por mais um ano de harmonia em nosso reino – Bernard estava em pé na frente de sua mesa com seu cálice nas mãos para fazer o brinde final – Peço desculpas, pois a rainha precisou se retirar, mas que deseja o melhor e um bom ano a todos. Um brinde! À prosperidade para o próximo ano!
Todos levantarem seus cálices e brindaram uns com os outros, muitos se abraçaram e riam felizes pela festa maravilhosa que seu generoso rei proporcionou.
A criadas levaram Sophi e Henry para a cama em quanto Bernard se despedia dos convidados na porta do castelo, assim que todos se foram ele subiu rapidamente as escadas e foi ver sua esposa que repousava tranquilamente em sua cama, as mantas que as criadas haviam arrumado em cima dela não se mexeram, parecia que ela acabara de se deitar, Bernard se sentou ao seu lado e a beijou na testa, ela abriu os olhos lentamente e olhou para ele que a olhava preocupado.
- Você está melhor?
- Acho que sim, estou um pouco melhor. – sua voz era bem suave e sonolenta, as palavras saiam pausadamente. – Estarei melhor de manhã.
- Vou me trocar e virei me deitar com você.
No dia seguinte, ele mandou que trouxessem frutas frescas para ela; Sophi e Henry não gostaram muito, pois seu pai não deixou que eles comessem bolo novamente, comeram frutas e um pão fresquinho que a cozinheira havia feito bem cedo para a rainha.
Sophi e Henry eram muito unidos, brincavam o tempo todo, eram crianças muito criativas e espertas, sempre estavam à procura de aventura, mesmo com pouca idade conseguiam se divertir como gente grande. Eles eram idênticos, a única coisa que os diferenciavam era o comprimento do cabelo de Sophi que caia em belos cachos pelas costas e Henry tinha cabelos lisos cortados na altura dos olhos, ambos eram claros e de bochechas muito rosadas, com sorrisos largos que pareciam anjinhos.
Lílian pediu para as criadas dos gêmeos que brincassem no jardim do castelo para que eles não ficassem doentes também, ela imaginava que estava com algum resfriado ou outra coisa parecida, apenas uma criada e Bernard podiam visitá-la em seu quarto durante alguns dias até que se sentisse melhor.
Na semana seguinte Lílian acordou cedo, bem antes das suas criadas, e foi até a cozinha, comeu uma maçã e voltou para seu quarto, Bernard acordou quando ela
entrou, perguntou se estava tudo bem. Ela se sentou na cama e olhou profundamente nos olhos de seu marido amado que a olhava preocupado.
- Acho que teremos mais um membro na família querido – ela repousou a mão em sua barriga, olhou para ele que entendeu o sinal arregalando os olhos e abriu um largo sorriso.
- Mas que maravilha! Vamos ter outro herdeiro! – Ele a abraçou e ficaram ali deitados imaginando como seria aquela criança e qual seria seu nome. Aquele ano seria de qualquer maneira inesquecível para o reino, mais um príncipe estaria a caminho da realeza, os gêmeos teriam um irmão ou irmãzinha para se divertirem pelo castelo.
Bernard mandou que preparassem um quarto para a criança, enquanto ele não chegasse, todos ficaram felizes com a notícia, o reino todo estava alegre. Assim que a criança nasceu um mensageiro percorreu todo o reino dando a notícia a todos, Bernard estava radiante, parecia uma criança com um brinquedo novo, Lílian o chamou de Evan. Príncipe Evan recém-chegado e novo membro da realeza era muito calmo, principalmente quando dormia nos braços de Lílian, Bernard estava encantado pelo seu novo herdeiro.
- Ele parece com você querida, tem seus olhos. – Lílian estava com Evan nos braços sentada numa grande poltrona no quarto do bebê e Bernard os admirava.
- Quer segurá-lo um pouco? – Lílian se levantou e entregou Evan a ele – Tome cuidado com a cabeça.
- Nossa! Ele é tão pequeno, perece que vou quebrá-lo – Ele admirou Evan por alguns minutos, mas ele acordou e começou a chorar, Lílian o pegou de volta e foi dar-lhe de mama.
Evan crescia e ficava forte a cada dia, quando começou a andar Sophi e Henry tentavam brincar com ele no jardim do castelo, sempre com Lílian por perto e suas criadas para cuidar dos três herdeiros que sempre voltavam sujos de terra e grama para o castelo. Evan era uma criança adorável aos olhos, tinha uma pele perfeita e olhos encantadores, tudo o que o pequeno príncipe desejava o era concedido, brinquedos, doces, animais de estimação, todos os seus desejos eram realizados. Lílian não gostava de mimar muito Evan, mas ele era o preferido de Bernard, era nítida sua preferência pelo menino, Sophi e Henry às vezes eram um pouco esquecidos, pois Bernard passava a maior parte de seu tempo livre com Evan, o levava para visitar os vilarejos do reino quando Lílian permitia, brincava com ele por horas em seu quarto ou no jardim que mandou que fizessem especialmente para as crianças.
- Papai! Olha minha espada!
- Oh! Não! O valente príncipe vai me derrotar! Evan pulou nos braços de Bernard que caiu no chão deixando que Evan o atingisse com sua pequena espada de madeira – Fui A-tin-gi-do...
- Há. Há, há! Venci você papai! Venci você! Você foi atingido!
- Vamos entrando que o jantar está pronto!
- Mamãe! Eu venci o papai com minha espada!
- Muito bem querido! – Lílian sorria para Bernard enquanto ele se levantava e pegava as coisas de Evan espalhadas pelo chão. – amanhã você brinca mais com o papai, agora vamos entrar.
Lílian segurou na mão de Evan e o levou para dentro enquanto Bernard trazia os brinquedos logo atrás, uma criada pegou Evan e o levou para se banhar, Lílian se virou para Bernard que já estava subindo as escadas do saguão.
- Ele é muito pequeno para brincar com espadas Bernard, logo vai querer lutar de verdade com os soldados.
- Mas ele gosta! Henry não gosta de brincar de guerreiro como Evan, ele gosta de ler e Sophi é uma menina.
- Tente se controlar Bernard, sei que você tem Evan como seu preferido, mas Sophi e Henry também merecem sua atenção. Quando foi que brincou com eles pela última vez? – Bernard abaixou a cabeça para não responder, pois nunca brincou realmente com os gêmeos como brinca com Evan.
- Vou dar mais atenção a eles querida, eu prometo.
- Tudo bem, só quero que não haja preferências em nosso reino, não é um bom exemplo para o povo e pode trazer desavenças futuras para nós. Vamos jantar.
Bernard tentou cumprir o que prometeu a Lílian, passou a dar mais atenção para os gêmeos assim como dava para Evan, assistia as aulas de dança de Sophi e passava algumas horas lendo histórias na biblioteca com Henry, mas sua hora preferida era com Evan, aos sete anos Evan já estava manuseando bem a espada, quase tão perfeito e rápido quanto seu pai, Bernard não via a hora que ele pudesse ter idade e tamanho o suficiente para empunhar uma espada de verdade.
No mesmo ano em que completou dez anos de idade Evan recebeu seu primeiro presente de herança, um medalhão com o brasão do reino de seu pai, o Reino Ussel, era de ouro puro e com o brasão em prata, Sophi e Henry tinham 15 anos e também receberam um presente, um anel em prata foi dado a cada um, simples porem belo aos olhos, o anel de Sophi tinha uma pequena safira cravada que combinava com seus
olhos grandes e azuis. Evan não gostava muito de usar seu medalhão, sua delicada corrente ara maior do que seu pescoço e ficava na altura de sua barriga e balançava muito ao andar, então passou a usá-lo apenas em ocasiões especiais. Cada um deles tinha uma pequena coroa de ouro, fina e delicada, e sempre usavam quando se assentavam ao lado dos tronos de seus pais. A Rainha Lílian sempre trazia costureiras muito boas para fazer novos vestidos de linho e seda para Sophi, como única filha, tinha seus privilégios de menina, sua própria serva que a ajudava a arrumar suas roupas, a acompanha-la quando queria passear nos arredores do castelo, pentear seus belos cachos ruivos dourados, às vezes eles eram trançados, mas sempre muito bem arrumados. Mas mesmo com seus privilégios como filha e Henry sendo o mais velho filho e herdeiro legítimo do trono, Evan ainda era o favorito. Seu pai separou um quarto do castelo para guardar todas as espadas, armaduras e diversas armas que mandava fazer para Evan para que um dia ele pudesse usar e dar orgulho a seu pai.
Conforme foi crescendo, seu pai o permitiu treinar luta e arco com os soldados do reino, ele era muito dedicado e aprendia muito rápido, quando chegou aos 12 anos já lutava com seu irmão que agora estava com 17 anos.
– Vou vencê-lo, inimigo cruel, você não irá me derrotar! – Evan manuseava a espada de madeira com movimentos rápidos, tinha bom apoio nos pés e sempre partia para o ataque.
- Você faz isso todos os dias Evan, não é justo! – Henry deixou sua espada no chão e deu as costas para Evan que avançou para ele apontando a espada de madeira como se estivesse a cravando em suas costas.
- Há! Venci você seu perdedor tolo! Nunca dê as costas para seu inimigo!
- Não quero mais lutar Evan, vou para a biblioteca estudar...
-Está fugindo! Guardas!!!! Quero outro adversário para eu vencer!!! Agora! – Imediatamente um dos guardas se pôs a lutar com Evan que obviamente sempre o deixava ganhar se fingindo de morto quando era atingido pela espada de Evan.
Enquanto caminhava para dentro Henry ouvia os ruídos e gritos de seu irmão lutando com os soldados do reino, parou por um instante e olhou para eles, enquanto olhava aquela cena de favoritismo tentava imaginar se um dia o seu pai iria o coroar rei ou se como de costume iria dar a preferência ao seu mimado irmão caçula. Henry nunca teve muito interesse em armas, gostava de ler e passava horas com os magos e adivinhos do rei. Sempre estava lendo e estudando outras línguas conhecidas e era muito bom com as ciências também. Lílian ficava muito satisfeita quando Henry agia como tradutor da família quando recebiam algum estrangeiro. Era de muito valor manter a boa comunicação e a paz com outros reinos. Sua pele era clara, pois passava
a maior parte do tempo na biblioteca do castelo, seu rosto era muito bem desenhado com traços fortes de um jovem homem e futuro rei.
Ele e Sophi eram muito unidos, e sempre passeavam juntos quando podiam, mas eles sabiam que não seria assim para sempre, um dia Sophi iria se casar com outro príncipe e teria seu próprio castelo e Henry seria rei no lugar de seu pai.
-Porque você esta nervoso meu irmão? – sempre foram muito unidos desde seu nascimento, Sophi percebia claramente quando seu irmão não estava bem e o mesmo acontecia com Henry, cuidavam um do outro sempre e partilhavam da mesma companhia quando estavam sozinhos.
- Não vi você entrando... Como está o vestido novo?
-Não tente mudar de assunto irmão, eu sei que você não está bem, me conte.
- Estou incomodado com a preferência que Evan tem de nosso pai...
- Eu imaginava que fosse isso, ultimamente está bem visível, até os criados estão comentando.
Eles se olharam por alguns minutos em silêncio, como se ambos soubessem o que o outro estava pensando sem ter a necessidade de usar palavras.
- Ainda temos tempo, nosso pai vai perceber que você será um rei merecedor do trono, meu irmão.
Henry apenas sorriu para Sophi, só ela tinha o poder de deixa-lo tranquilo, mesmo diante de assuntos preocupantes.
Cada ano que passava e iam crescendo sabiam que logo tudo mudaria, mas algumas coisas já começavam a acontecer.
- Você já sabe quando irá conhecer seus pretendentes?
- Ainda não irmão, acho que não vai demorar muito, mamãe fica cada dia mais ansiosa por este dia, não gosto nem de tocar no assunto.
- Nem eu, vamos nos separar, ficarei sozinho aqui, gosto muito de sua companhia irmã, amo muito você – Henry segurou as duas mãos de Sophi, ela estava com ele na biblioteca ambos estudavam as histórias dos reinos passados, ela sempre o ajudava a encontrar algum livro que precisava.
Breathe Me - Sia (Live)
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