sábado, 27 de dezembro de 2014

Fim de ano

Gente, esse mês está muito difícil fazer pastagens. Em 2015 volto com novidades.  Obrigada pela compreensão!

domingo, 7 de dezembro de 2014

RESULTADO DO SORTEIO!

Olá, pessoal! Apenas seis pessoas participaram do nosso primeiro sorteio (chateada) mas não prolonguei o prazo porque acho que só não participou quem não quis. E quem vai levar pra casa um livro O Guia do Mochileiro das Galáxias + dez marcadores sortidos (sendo dois autografados) é a seguidora Debora Favoreto! Parabéns! Entrarei em contato através das informações que você deixou nos comentários. Obrigada pela participação de todos.




quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

1º Sorteio do Blog!

Boa tarde, leitores!
Como vocês sabem esse blog ainda está começando e para agradecer meus poucos seguidores vou realizar nosso primeiro sorteio exclusivo para o blog. 

O que será sorteado: 
- 1 livro: O Guia do Mochileiro das Galáxias - Douglas Adams
- 10 marcadores sortidos sendo 2 autografados.




Como participar:
- Basta ser seguidor do blog (o sorteio é para meus lindos seguidores ♥)
- Deixar o e-mail e/ou instagram para contato (caso você seja o vencedor) nos comentários DESSE POST! + seu nome como aparece nos seguidores. 

Somente.

O sorteio será realizado sábado (06.12.2014) pela ordem dos comentários.

Se o sorteado não for seguidor do blog será realizado um novo sorteio.

Que a sorte esteja sempre a seu favor ;)

MiniConto de Quarta: Efêmero - Weber Carlos dos Santos

EFÊMERO
Weber Carlos dos Santos

Sua vida foi uma morte lenta.
Sua morte, apenas o esupasmo final.


Fonte: www.minicontos.com.br

Poema: José (E agora, José?) - Carlos Drummond de Andrade

José
Carlos Drummond de Andrade

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Joaquim?
e agora, você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão 
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais!
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Crônica: Das Vantagens de Ser Bobo - Clarice Lispector

Das Vantagens de Ser Bobo
Clarice Lispector


O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando." 
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia. 
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski. 
Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu. 
Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?" 
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama! 
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz. 
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem. 
Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas! 
Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.

Dica: A Cidade do Sol - Khaled Hosseini

Sinopse: Mariam tem 33 anos. Sua mãe morreu quando ela tinha 15 anos e Jalil, o homem que deveria ser seu pai, a deu em casamento a Rashid, um sapateiro de 45 anos. Ela sempre soube que seu destino era servir seu marido e dar-lhe muitos filhos. Mas as pessoas não controlam seus destinos. Laila tem 14 anos. É filha de um professor que sempre lhe diz: "Você pode ser tudo o que quiser." Ela vai à escola todos os dias, é considerada uma das melhores alunas do colégio e sempre soube que seu destino era muito maior do que casar e ter filhos. Mas as pessoas não controlam seus destinos. Confrontadas pela história, o que parecia impossível acontece: Mariam e Laila se encontram, absolutamente sós. E a partir desse momento, embora a história continue a decidir os destinos, uma outra história começa a ser contada, aquela que ensina que todos nós fazemos parte do "todo humano", somos iguais na diferença, com nossos pensamentos, sentimentos e mistérios.

Editora: Nova Fronteira

Páginas: 368

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Música de Sexta - She Wolf (Cover) - Rebeca Sauwen e Carol Biccas

SEXTA- FEIRAA!! E a música da semana pra dar uma animada é She Wolf - David Guetta feat. Sia, mas eu amo covers, então é a versão interpretada pela Carol Biccas e Rebeca Sauwen. Aproveitem:



quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Resenha: Enders - Lissa Price

Olá, pessoal, há um tempo postei como dica de livro da semana 'Starters' - Lissa Price (veja AQUI) e hoje trago a resenha do livro posterior a esse: Enders:





Sinopse: Depois que a Prime Destinations foi demolida, Callie pensou que teria paz para viver ao lado do irmão, Tyler, e do amigo, Michael. O banco de corpos foi destruído para sempre, e Callie nunca mais terá de alugar-se para os abomináveis Enders. No entanto, ela e Michael têm o chip implantado no cérebro e podem ser controlados. Além disso, o Velho ainda se comunica com Callie. O pesadelo não terminou. Agora, Callie procura uma maneira de remover o chip – isso pode custar sua vida, mas vai silenciar a voz que fala em sua mente. Se continuar sob o domínio dos Enders, Callie estará constantemente sujeita a fazer o que não quer, inclusive contra as pessoas que mais ama. Callie tem pouco tempo. Obstinada por descobrir quem é de fato o Velho e desejando, mais que tudo, uma vida normal para si e para o irmão, ela vai lutar pela verdade. Custe o que custar.
Editora: Novo Conceito
Autora: Lissa Price
Avaliação: *****

Resenha: Sabem aquele livro viciante que você não consegue parar de ler? Você dorme e acorda lendo, lê na escola, em casa, esperando em algum lugar... Arrumou um tempinho livre vai lê-lo? O título desse livro é Enders. 
A luta de Callie ainda não acabou, ela, Michael e vários outros Starters ainda têm o chip. O Velho ainda está solto e falando sempre com Callie, sem contar que ainda têm poder de fazer coisas terríveis com os antigos "corpos de aluguel" da Prime. Então, Callie sai em busca de descobrir quem é esse homem que mudou totalmente sua vida, o que ele quer e como acabar com ele.
Para isso, claro, ela precisa de ajuda: além do constantemente presente Michael, agora Callie conta com Hyden e para falar dele preciso lembrar um detalhe pessoal do primeiro livro: Em 'Starters' eu amava o Blake, (neto do senador que Callie quase matou quando estava alugada) aí ele virou minha maior decepção literária de todos os tempos, simples assim. Nesse livro o Blake quase não aparece, e nem faz falta, porque tem o Hyden, um cara genial e cheio de segredos e sinceramente, não tem como não gostar dele. Substitui o Blake? Sim, e se você ler vai entender por quê, infelizmente é spoiler e não posso contar. O fato é que o Hyden é minha maior surpresa literária de todos os tempos, simples assim. 
Dá pra ter uma ideia de como Lissa Price inverte totalmente a história por esse exemplo. Quando você acha que entendeu tudo, desvendou o mistério e resolveu os problemas o livro sobre uma completa reviravolta e leva sua cabeça junto. Duvido que alguém leia essa obra sem soltar um "Ahn?" ou "Como?" e depois "Minha nossa!" quando tudo fica claro. 
E o final? No final descobrimos o que não poderíamos mais dormir tranquilos sem saber:  ___________ É O Velho! E essa foi minha maior revelação literária de todos os tempos!! Mas queria que ela tivesse falado mais sobre como todos ficaram depois, acho que o fim ficou meio aberto. Todavia o resto compensa.
Então é claro que recomento 1000 vezes ambos os livros por que são dois dos meus livros favoritos de todos os tempos :)

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Conto de Quarta: Muribeca - Marcelino Freire

Muribeca
Marcelino Freire
Lixo? Lixo serve pra tudo. A gente encontra a mobília da casa, cadeira pra pôr uns pregos e ajeitar, sentar. Lixo pra poder ter sofá, costurado, cama, colchão. Até televisão.
É a vida da gente o lixão. E por que é que agora querem tirar ele da gente? O que é que eu vou dizer pras crianças? Que não tem mais brinquedo? Que acabou o calçado? Que não tem mais história, livro, desenho?
E o meu marido, o que vai fazer? Nada? Como ele vai viver sem as garrafas, sem as latas, sem as caixas? Vai perambular pela rua, roubar pra comer?
E o que eu vou cozinhar agora? Onde vou procurar tomate, alho, cebola? Com que dinheiro vou fazer sopa, vou fazer caldo, vou inventar farofa?
Fale, fale. Explique o que é que a gente vai fazer da vida? O que a gente vai fazer da vida? Não pense que é fácil. Nem remédio pra dor de cabeça eu tenho. Como vou me curar quando me der uma dor no estômago, uma coceira, uma caganeira? Vá, me fale, me diga, me aconselhe. Onde vou encontrar tanto remédio bom? E esparadrapo e band-aid e seringa?
O povo do governo devia pensar três vezes antes de fazer isso com chefe de família. Vai ver que eles tão de olho nessa merda aqui. Nesse terreno. Vai ver que eles perderam alguma coisa. É. Se perderam, a gente acha. A gente cata. A gente encontra. Até bilhete de loteria, lembro, teve gente que achou. Vai ver que é isso, coisa da Caixa Econômica. Vai ver que é isso, descobriram que lixo dá lucro, que pode dar sorte, que é luxo, que lixo tem valor.
Por exemplo, onde a gente vai morar, é? Onde a gente vai morar? Aqueles barracos, tudo ali em volta do lixão, quem é que vai levantar? Você, o governador? Não. Esse negócio de prometer casa que a gente não pode pagar é balela, é conversa pra boi morto. Eles jogam a gente é num esgoto. Pr’onde vão os coitados desses urubus? A cachorra, o cachorro?
Isso tudo aqui é uma festa. Os meninos, as meninas naquele alvoroço, pulando em cima de arroz, feijão. Ajudando a escolher. A gente já conhece o que é bom de longe, só pela cara do caminhão. Tem uns que vêm direto de supermercado, açougue. Que dia na vida a gente vai conseguir carne tão barato? Bisteca, filé, chã-de-dentro – o moço tá servido? A moça?
Os motoristas já conhecem a gente. Têm uns que até guardam com eles a melhor parte. É coisa muito boa, desperdiçada. Tanto povo que compra o que não gasta – roupa nova, véu, grinalda. Minha filha já vestiu um vestido de noiva, até a aliança a gente encontrou aqui, num corpo. É. Vem parar muito bicho morto. Muito homem, muito criminoso. A gente já tá acostumado. Até o camburão da polícia deixa seu lixo aqui, depositado. Balas, revólver 38. A gente não tem medo, moço. A gente é só ficar calado.
Agora, o que deu na cabeça desse povo? A gente nunca deu trabalho. A gente não quer nada deles que não esteja aqui jogado, rasgado, atirado. A gente não quer outra coisa senão esse lixão pra viver. Esse lixão para morrer, ser enterrado. Pra criar os nossos filhos, ensinar o nosso ofício, dar de comer. Pra continuar na graça de Nosso Senhor Jesus Cristo. Não faltar brinquedo, comida, trabalho.
Não, eles nunca vão tirar a gente deste lixão. Tenho fé em Deus, com a ajuda de Deus eles nunca vão tirar a gente deste lixo.
Eles dizem que sim, que vão. Mas não acredito. Eles nunca vão conseguir tirar a gente deste paraíso.
Um pouco sobre o autor: Marcelino Juvêncio Freire (1967, ainda vivo), é um escritor brasileiro nascido em Sertânia - Pernambuco, onde fez  teatro e escreveu vários textos do gênero, começou também o curso de Letras mas não concluiu. Publica, de forma independente, seus dois primeiros livros: AcRústico, e EraOdito. Em 2000, publica o livro de contos Angu de Sangue. 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Terça Poética: Rosa de Hiroshima - Vinicius de Moraes

Do ilustre e clássico Vinicius de Moraes, porque não dá pra falar de poesia sem mencioná-lo. Eis uma poesia cantada:


Rosa de Hiroshima
Vinícius de Moraes

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
 Pensem nas meninas
Cegas inexatas
 Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditáriaA
 rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume

Sem rosa, sem nada


Um pouco sobre o autor: Vinicius de Moraes (1913 - 1980) foi um diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta e compositor brasileiro. Com poesia essencialmente lírica, era também conhecido como "poetinha" notabilizou-se pelos seus sonetos. Conhecido como um boêmio e grande conquistador. O poetinha casou-se por nove vezes ao longo de sua vida.Sua obra é vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música. Ainda assim, sempre considerou que a poesia foi sua primeira e maior vocação, e que toda sua atividade artística deriva do fato de ser poeta

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Segunda Crônica: Antes eu vivia anestesiada - Cristiana Moura

Antes eu vivia anestesiada- Cristiana Moura

O Sol mal nascera e a moça, já de pé, preparava o café para os patrões. Arrumava, lavava, limpava. Fazia o almoço, servia, comia. Depois arrumava, lavava, limpava. Já era hora do jantar. Já passava da hora de dormir. No dia seguinte os afazeres se repetiam. E no outro. E mais um. Nos intervalos Jô criava Vitória ao mesmo tempo que a menina se criava entre a escola e o brincar pelos jardins do casarão.

Certa vez acordou com um cansaço tanto. Não estava cansada de ontem. Nem era cansaço da semana mais intensa de trabalho na casa que recebera hóspedes. Já não havia juventude. Já im-se vinte anos e Jô se cansara dos dias iguais e sem tempo pra pensar seja lá no que fosse. Pensar vida sendo vivida. Deu-se conta que vivia à revelia de si mesma.

Arrumou as malas. Despediu-se sem grandes afetos. Trocou o trabalho de todos os dias e todas as noites em uma casa só por trabalhos em residências diferentes a cada dia. Pessoas outras. Novos trajetos pela cidade.

— Agora, sou dona da minha vida — ouvi-la dizer — Antes eu vivia anestesiada.

Noutro dia cheguei em casa um pouco mais cedo que de costume, por volta das dezenove horas. Jô ainda estava lá.

— O que você está fazendo aqui uma hora dessas?
— Dona Cristiana, eu vou fazer o quê? Não gosto de televisão. Gosto é de deixar tudo arrumado. Não tenho outra coisa pra fazer não.

Jô desaprendera os prazeres simples. Trabalhava por hábito, por necessidade, por lazer.
Vitória que estudava no curso técnico de administração e se preparava para fazer a faculdade na mesma área, já não a requisitava.

— Jô, e não tem uma praça perto da sua casa?
— Tem sim senhora.
— E você não tem amigos, paqueras?
— De homem eu não quero mais saber não, mas tenho amigas sim. E tem a minha irmã também.
— Pois então, quando der quatro e meia você vai embora passear na praça com as amigas, irmã, ou outro passeio.
— É mesmo, né? É que não tenho é costume de diversão.

Jô passou a experimentar novos passeios. Passou a experimentar a cidade. Ela vai sentindo os novos gostos do dia a dia. Dia desses me contava que estava ouvindo os pássaros cantarem.

— Será que eles não cantavam antes ou era eu que além de cega para a vida que eu levava também estava surda?
— Não importa, Jô. Você pode ouvi-los agora.

E nos fins de tarde Jô passeia traçando novos trajetos pelas ruas da cidade, pelos afetos, pela vida.

sábado, 22 de novembro de 2014

Dica da Semana: Perdão, Leonard Peacock - Matthew Quick


Sinopse:
Hoje é o aniversário de Leonard Peacock. Também é o dia em que ele saiu de casa com uma arma na mochila. Porque é hoje que ele vai matar o ex-melhor amigo e depois se suicidar com a P-38 que foi do avô, a pistola do Reich. Mas antes ele quer encontrar e se despedir das quatro pessoas mais importantes de sua vida: Walt, o vizinho obcecado por filmes de Humphrey Bogart; Baback, que estuda na mesma escola que ele e é um virtuose do violino; Lauren, a garota cristã de quem ele gosta, e Herr Silverman, o professor que está agora ensinando à turma sobre o Holocausto. Encontro após encontro, conversando com cada uma dessas pessoas, o jovem ao poucos revela seus segredos, mas o relógio não para: até o fim do dia Leonard estará morto. 
Editora: Intríseca
Autor: Matthew Quick

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Fotos do II Concurso Meu Escritor Favorito

Fotos e frase participantes do II Concurso Meu Escritor Favorito. Digite o número da sua favorita nos comentários ;)

"Pode partir meu coração, mil vezes, se desejar, sempre foi seu para machucar como quiser." (A Escolha - Kiera Cass)
"Alguns infinitos são maiores que outros " (A culpa é das Estrelas - John Green)
"Acho que não há nada que você possa fazer que eu não possa perdoar." (A Seleção - Kiera Cass)

                  

"Lembre quem é o verdadeiro inimigo." (Suzanne Collins - Em Chamas)

"Meu coração sempre foi seu para machucar como quiser" (A Escolha - Kiera Cass)

Alice: "Quanto tempo dura o eterno?"Coelho: "Ás vezes apenas um segundo."(Alice no País das Maravilhas - Lewis Garrow)



Música de Sexta: Sia - Breathe Me + 1 Capítulo de 'A Origem da Rosa' - Jaqueline Cristina

Boa tarde! Algum de vocês gosta de ler escutando música? É perfeito, principalmente quando a música se encaixa no momento do livro, né? Pois bem, a Jaqueline Cristina escritora do livro 'A Origem da Rosa' fez uma seleção de músicas que combinam com os capítulos do livro e mandou pra gente! E não é só isso, você vai poder ler o primeiro capitulo do livro enquanto escuta a música *-*. Eu fiz o teste e o resultado é que agora estou viciada na música e louca pra terminar o livro (preciso arrumar dinheiro pra comprar), obrigada, Jaq! Então, apreciem:


Breathe Me - Sia (Instrumental)



Primeiro capítulo de 'A origem da Rosa':

Cap. 1. Infância.

01.SIA - Breathe Me ( Instrumental)

Era uma vez, um reino muito poderoso, suas terras eram extensas e muito belas, tudo era de posse do rei. Nos quatro cantos de seu território tudo era magnífico, lindas paisagens, necessitava de três dias de viagem para percorrer todo o reino. O rei Bernard era muito querido e admirado por todos os moradores por sua forma de cuidar do reino, sempre presente, visitava constantemente cada vila do reino para manter a ordem e o sustento de seu povo.
No quinto ano do seu reinado, o reino todo se reuniu para a comemoração anual que acontecia na primavera, todos estavam presentes no grande salão do castelo principal do rei. A decoração estava belíssima, muitas flores formando arranjos enormes que se espalhavam por todo lado, as cortinas haviam sido trocadas por cortinas vermelhas com bordados em ouro, em cada mesa tinha flores e velas - estavam cobertas com toalhas brancas com o mesmo bordado das cortinas. Cada convidado estava muito bem acomodado e os criados do rei traziam um bom vinho para todos.
Enquanto a música tocava suavemente era servido o jantar, a rainha Lílian se levantou de seu lugar a mesa e se dirigiu até Bernard, Sophi e Henry estavam comendo bolo, duas criadas os ajudavam a comer, tinham quatro anos, os gêmeos eram muito agraciados no reino.
- Querido, preciso lhe dizer algo. – Ela falou baixinho em seu ouvido para que apenas ele a ouvisse.
- Sim meu amor, o que foi? Está tudo bem? – ele a olhou ternamente enquanto ela se sentava ao seu lado e puxava a cadeira para mais próximo dele.
- Estou me sentindo um pouco enjoada e fraca, vou para meu quarto, você pode pedir desculpas aos convidados por mim?
- Claro que posso Lílian, mas você quer que eu mande alguém para cuidar de você?
- Não querido, estou apenas indisposta – ela colocou sua mão em cima da dele para acalmá-lo – estou bem, preciso apenas descansar.
- Assim que todos saírem, irei vê-la.
Ele a beijou na mão e a acompanhou até a porta do salão onde uma de suas criadas a esperava para levá-la até o quarto. Antes de fechar a porta ela olhou para os gêmeos que estavam fazendo guerra de comida com os restos do bolo que comiam e quando eles olharam para ela, ela acenou com a mão lhes dando boa noite. Eles retribuíram o gesto e continuaram brincando, Bernard voltou para sua mesa e tentou fazer com que as crianças não fizessem muita bagunça na ausência da mãe. Ao chegar em seu quarto
Lílian se deitou e pediu que trouxessem uma xícara de chá quente para ela, as criadas a cobriram deixando ela perfeitamente aninhada em sua grande cama.
- Queria agradecer a todos pela presença e por mais um ano de harmonia em nosso reino – Bernard estava em pé na frente de sua mesa com seu cálice nas mãos para fazer o brinde final – Peço desculpas, pois a rainha precisou se retirar, mas que deseja o melhor e um bom ano a todos. Um brinde! À prosperidade para o próximo ano!
Todos levantarem seus cálices e brindaram uns com os outros, muitos se abraçaram e riam felizes pela festa maravilhosa que seu generoso rei proporcionou.
A criadas levaram Sophi e Henry para a cama em quanto Bernard se despedia dos convidados na porta do castelo, assim que todos se foram ele subiu rapidamente as escadas e foi ver sua esposa que repousava tranquilamente em sua cama, as mantas que as criadas haviam arrumado em cima dela não se mexeram, parecia que ela acabara de se deitar, Bernard se sentou ao seu lado e a beijou na testa, ela abriu os olhos lentamente e olhou para ele que a olhava preocupado.
- Você está melhor?
- Acho que sim, estou um pouco melhor. – sua voz era bem suave e sonolenta, as palavras saiam pausadamente. – Estarei melhor de manhã.
- Vou me trocar e virei me deitar com você.
No dia seguinte, ele mandou que trouxessem frutas frescas para ela; Sophi e Henry não gostaram muito, pois seu pai não deixou que eles comessem bolo novamente, comeram frutas e um pão fresquinho que a cozinheira havia feito bem cedo para a rainha.
Sophi e Henry eram muito unidos, brincavam o tempo todo, eram crianças muito criativas e espertas, sempre estavam à procura de aventura, mesmo com pouca idade conseguiam se divertir como gente grande. Eles eram idênticos, a única coisa que os diferenciavam era o comprimento do cabelo de Sophi que caia em belos cachos pelas costas e Henry tinha cabelos lisos cortados na altura dos olhos, ambos eram claros e de bochechas muito rosadas, com sorrisos largos que pareciam anjinhos.
Lílian pediu para as criadas dos gêmeos que brincassem no jardim do castelo para que eles não ficassem doentes também, ela imaginava que estava com algum resfriado ou outra coisa parecida, apenas uma criada e Bernard podiam visitá-la em seu quarto durante alguns dias até que se sentisse melhor.
Na semana seguinte Lílian acordou cedo, bem antes das suas criadas, e foi até a cozinha, comeu uma maçã e voltou para seu quarto, Bernard acordou quando ela
entrou, perguntou se estava tudo bem. Ela se sentou na cama e olhou profundamente nos olhos de seu marido amado que a olhava preocupado.
- Acho que teremos mais um membro na família querido – ela repousou a mão em sua barriga, olhou para ele que entendeu o sinal arregalando os olhos e abriu um largo sorriso.
- Mas que maravilha! Vamos ter outro herdeiro! – Ele a abraçou e ficaram ali deitados imaginando como seria aquela criança e qual seria seu nome. Aquele ano seria de qualquer maneira inesquecível para o reino, mais um príncipe estaria a caminho da realeza, os gêmeos teriam um irmão ou irmãzinha para se divertirem pelo castelo.
Bernard mandou que preparassem um quarto para a criança, enquanto ele não chegasse, todos ficaram felizes com a notícia, o reino todo estava alegre. Assim que a criança nasceu um mensageiro percorreu todo o reino dando a notícia a todos, Bernard estava radiante, parecia uma criança com um brinquedo novo, Lílian o chamou de Evan. Príncipe Evan recém-chegado e novo membro da realeza era muito calmo, principalmente quando dormia nos braços de Lílian, Bernard estava encantado pelo seu novo herdeiro.
- Ele parece com você querida, tem seus olhos. – Lílian estava com Evan nos braços sentada numa grande poltrona no quarto do bebê e Bernard os admirava.
- Quer segurá-lo um pouco? – Lílian se levantou e entregou Evan a ele – Tome cuidado com a cabeça.
- Nossa! Ele é tão pequeno, perece que vou quebrá-lo – Ele admirou Evan por alguns minutos, mas ele acordou e começou a chorar, Lílian o pegou de volta e foi dar-lhe de mama.
Evan crescia e ficava forte a cada dia, quando começou a andar Sophi e Henry tentavam brincar com ele no jardim do castelo, sempre com Lílian por perto e suas criadas para cuidar dos três herdeiros que sempre voltavam sujos de terra e grama para o castelo. Evan era uma criança adorável aos olhos, tinha uma pele perfeita e olhos encantadores, tudo o que o pequeno príncipe desejava o era concedido, brinquedos, doces, animais de estimação, todos os seus desejos eram realizados. Lílian não gostava de mimar muito Evan, mas ele era o preferido de Bernard, era nítida sua preferência pelo menino, Sophi e Henry às vezes eram um pouco esquecidos, pois Bernard passava a maior parte de seu tempo livre com Evan, o levava para visitar os vilarejos do reino quando Lílian permitia, brincava com ele por horas em seu quarto ou no jardim que mandou que fizessem especialmente para as crianças.
- Papai! Olha minha espada!
- Oh! Não! O valente príncipe vai me derrotar! Evan pulou nos braços de Bernard que caiu no chão deixando que Evan o atingisse com sua pequena espada de madeira – Fui A-tin-gi-do...
- Há. Há, há! Venci você papai! Venci você! Você foi atingido!
- Vamos entrando que o jantar está pronto!
- Mamãe! Eu venci o papai com minha espada!
- Muito bem querido! – Lílian sorria para Bernard enquanto ele se levantava e pegava as coisas de Evan espalhadas pelo chão. – amanhã você brinca mais com o papai, agora vamos entrar.
Lílian segurou na mão de Evan e o levou para dentro enquanto Bernard trazia os brinquedos logo atrás, uma criada pegou Evan e o levou para se banhar, Lílian se virou para Bernard que já estava subindo as escadas do saguão.
- Ele é muito pequeno para brincar com espadas Bernard, logo vai querer lutar de verdade com os soldados.
- Mas ele gosta! Henry não gosta de brincar de guerreiro como Evan, ele gosta de ler e Sophi é uma menina.
- Tente se controlar Bernard, sei que você tem Evan como seu preferido, mas Sophi e Henry também merecem sua atenção. Quando foi que brincou com eles pela última vez? – Bernard abaixou a cabeça para não responder, pois nunca brincou realmente com os gêmeos como brinca com Evan.
- Vou dar mais atenção a eles querida, eu prometo.
- Tudo bem, só quero que não haja preferências em nosso reino, não é um bom exemplo para o povo e pode trazer desavenças futuras para nós. Vamos jantar.
Bernard tentou cumprir o que prometeu a Lílian, passou a dar mais atenção para os gêmeos assim como dava para Evan, assistia as aulas de dança de Sophi e passava algumas horas lendo histórias na biblioteca com Henry, mas sua hora preferida era com Evan, aos sete anos Evan já estava manuseando bem a espada, quase tão perfeito e rápido quanto seu pai, Bernard não via a hora que ele pudesse ter idade e tamanho o suficiente para empunhar uma espada de verdade.
No mesmo ano em que completou dez anos de idade Evan recebeu seu primeiro presente de herança, um medalhão com o brasão do reino de seu pai, o Reino Ussel, era de ouro puro e com o brasão em prata, Sophi e Henry tinham 15 anos e também receberam um presente, um anel em prata foi dado a cada um, simples porem belo aos olhos, o anel de Sophi tinha uma pequena safira cravada que combinava com seus
olhos grandes e azuis. Evan não gostava muito de usar seu medalhão, sua delicada corrente ara maior do que seu pescoço e ficava na altura de sua barriga e balançava muito ao andar, então passou a usá-lo apenas em ocasiões especiais. Cada um deles tinha uma pequena coroa de ouro, fina e delicada, e sempre usavam quando se assentavam ao lado dos tronos de seus pais. A Rainha Lílian sempre trazia costureiras muito boas para fazer novos vestidos de linho e seda para Sophi, como única filha, tinha seus privilégios de menina, sua própria serva que a ajudava a arrumar suas roupas, a acompanha-la quando queria passear nos arredores do castelo, pentear seus belos cachos ruivos dourados, às vezes eles eram trançados, mas sempre muito bem arrumados. Mas mesmo com seus privilégios como filha e Henry sendo o mais velho filho e herdeiro legítimo do trono, Evan ainda era o favorito. Seu pai separou um quarto do castelo para guardar todas as espadas, armaduras e diversas armas que mandava fazer para Evan para que um dia ele pudesse usar e dar orgulho a seu pai.
Conforme foi crescendo, seu pai o permitiu treinar luta e arco com os soldados do reino, ele era muito dedicado e aprendia muito rápido, quando chegou aos 12 anos já lutava com seu irmão que agora estava com 17 anos.
– Vou vencê-lo, inimigo cruel, você não irá me derrotar! – Evan manuseava a espada de madeira com movimentos rápidos, tinha bom apoio nos pés e sempre partia para o ataque.
- Você faz isso todos os dias Evan, não é justo! – Henry deixou sua espada no chão e deu as costas para Evan que avançou para ele apontando a espada de madeira como se estivesse a cravando em suas costas.
- Há! Venci você seu perdedor tolo! Nunca dê as costas para seu inimigo!
- Não quero mais lutar Evan, vou para a biblioteca estudar...
-Está fugindo! Guardas!!!! Quero outro adversário para eu vencer!!! Agora! – Imediatamente um dos guardas se pôs a lutar com Evan que obviamente sempre o deixava ganhar se fingindo de morto quando era atingido pela espada de Evan.
Enquanto caminhava para dentro Henry ouvia os ruídos e gritos de seu irmão lutando com os soldados do reino, parou por um instante e olhou para eles, enquanto olhava aquela cena de favoritismo tentava imaginar se um dia o seu pai iria o coroar rei ou se como de costume iria dar a preferência ao seu mimado irmão caçula. Henry nunca teve muito interesse em armas, gostava de ler e passava horas com os magos e adivinhos do rei. Sempre estava lendo e estudando outras línguas conhecidas e era muito bom com as ciências também. Lílian ficava muito satisfeita quando Henry agia como tradutor da família quando recebiam algum estrangeiro. Era de muito valor manter a boa comunicação e a paz com outros reinos. Sua pele era clara, pois passava
a maior parte do tempo na biblioteca do castelo, seu rosto era muito bem desenhado com traços fortes de um jovem homem e futuro rei.
Ele e Sophi eram muito unidos, e sempre passeavam juntos quando podiam, mas eles sabiam que não seria assim para sempre, um dia Sophi iria se casar com outro príncipe e teria seu próprio castelo e Henry seria rei no lugar de seu pai.
-Porque você esta nervoso meu irmão? – sempre foram muito unidos desde seu nascimento, Sophi percebia claramente quando seu irmão não estava bem e o mesmo acontecia com Henry, cuidavam um do outro sempre e partilhavam da mesma companhia quando estavam sozinhos.
- Não vi você entrando... Como está o vestido novo?
-Não tente mudar de assunto irmão, eu sei que você não está bem, me conte.
- Estou incomodado com a preferência que Evan tem de nosso pai...
- Eu imaginava que fosse isso, ultimamente está bem visível, até os criados estão comentando.
Eles se olharam por alguns minutos em silêncio, como se ambos soubessem o que o outro estava pensando sem ter a necessidade de usar palavras.
- Ainda temos tempo, nosso pai vai perceber que você será um rei merecedor do trono, meu irmão.
Henry apenas sorriu para Sophi, só ela tinha o poder de deixa-lo tranquilo, mesmo diante de assuntos preocupantes.
Cada ano que passava e iam crescendo sabiam que logo tudo mudaria, mas algumas coisas já começavam a acontecer.
- Você já sabe quando irá conhecer seus pretendentes?
- Ainda não irmão, acho que não vai demorar muito, mamãe fica cada dia mais ansiosa por este dia, não gosto nem de tocar no assunto.
- Nem eu, vamos nos separar, ficarei sozinho aqui, gosto muito de sua companhia irmã, amo muito você – Henry segurou as duas mãos de Sophi, ela estava com ele na biblioteca ambos estudavam as histórias dos reinos passados, ela sempre o ajudava a encontrar algum livro que precisava.




 Breathe Me - Sia (Live)



quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Resenha de Quinta: Uma lição de amor - Elysanna Louzada


Livro: Uma lição de amor
Autora: Elysanna Louzada
Número de páginas: 246
Editora: Ases da literatura
Avaliação: ♥♥♥♥♥

Ana Luísa se muda para São Paulo para cursar Serviço Social depois que sua avó morre, é na faculdade que conhece Otávio e Eduardo, seu irmão gêmeo. Entre várias reviravoltas ela se vê em um triângulo amoroso muito complexo e emocionante. Quem ela vai escolher? Ou será que a vida escolherá por ela? Quais as consequências disso?

Eu amei esse livro, mesmo não gostando muito de romance, porque o achei extremamente real. Li em um dia de tão envolvida que estava e chorei no fim. Mas o que mais me chamou atenção não foi o triângulo amoroso ou as dificuldades que Ana teve que enfrentar, mas sim o senso de humanidade que esse livro tem, a participação dos personagens no Médicos Sem Fronteiras e Cruz Vermelha e um pouco de como funcionam essas organizações. É um livro que me levou a refletir como moramos dentro de uma bolha, e que muitas situações que várias pessoas do mundo não são tão importantes para nós como deveriam. O que estamos fazendo pra ajudar quem precisa? Ou somos tão egoístas a ponto de simplesmente fingir que todo mundo está bem? Sem falar na Laura, que amei assim que "conheci", linda! Super recomendo 'Uma lição de amor'.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Conto de Quarta: O Homem Trocado - Luis Fernando Veríssimo

O Homem Trocado
Luis Fernando Veríssimo

O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de
recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem.
- Tudo perfeito - diz a enfermeira, sorrindo.
- Eu estava com medo desta operação...
- Por quê? Não havia risco nenhum.
- Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos...
E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca
de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de
orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos
redondos. Descoberto o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou
com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não
soubera explicar o nascimento de um bebê chinês.
- E o meu nome? Outro engano.
- Seu nome não é Lírio?
- Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e...
Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não
fazia. Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na
universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.
- Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês
passado tive que pagar mais de R$ 3 mil.
- O senhor não faz chamadas interurbanas?
- Eu não tenho telefone!
Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram
felizes.
- Por quê?
- Ela me enganava.
Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas
que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico
dizer:
- O senhor está desenganado.
Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma
simples apendicite.
- Se você diz que a operação foi bem...
A enfermeira parou de sorrir.
- Apendicite? - perguntou, hesitante.
- É. A operação era para tirar o apêndice.
- Não era para trocar de sexo?

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Terça Poética: Gilda - Murilo Mendes

Gilda
Murilo Mendes


Não ponha o nome de Gilda 

na sua filha, coitada,

Se tem filha pra nascer 

Ou filha pra batisar.
Minha mãe se chama Gilda,
Não se casou com meu pai.
Sempre lhe sobra desgraça,
Não tem tempo de escolher.
Também eu me chamo Gilda,
E, pra dizer a verdade
Sou pouco mais infeliz.
Sou menos do que mulher,
Sou uma mulher qualquer.
Ando à-toa pelo mundo.
Sem força pra me matar.
Minha filha é também Gilda,
Pro costume não perder
É casada com o espelho
E amigada com o José.
Qualquer dia Gilda foge
Ou se mata em Paquetá
Com José ou sem José.
Já comprei lenço de renda
Pra chorar com mais apuro
E aos jornais telefonei.
Se Gilda enfim não morrer,
Se Gilda tiver uma filha
Não põe o nome de Gilda,
Na menina, que não deixo.
Quem ganha o nome de Gilda
Vira Gilda sem querer.
Não ponha o nome de Gilda
No corpo de uma mulher.


Um pouco sobre o autor: Murilo Mendes (1901-1975) nasceum em Juiz de Fora - MG e foi poeta e prosador brasileiro expoente da Geração de 30 do Modernismo. Suas poesias tinham caráter católico, barroco, surreal e social.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Segunda Crônica: Antes que elas cresçam - Affonso Romano de Sant'Anna

Olá, trouxe hoje minha crônica preferida de todos os tempos, acho linda, verdadeira, maravilhosa, chorei lendo. Espero que gostem tanto quanto eu dela:



Antes que elas cresçam
Affonso Romano de Sant'Anna

Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.
É que as crianças  crescem. Independentes de nós, como árvores, tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir licença. Crescem como a inflação, independente do governo e da vontade popular. Entre os estupros dos preços, os disparos dos discursos e o assalto das estações, elas crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância.
Mas não crescem todos os dias, de igual maneira; crescem, de repente.
Um dia se assentam perto de você no terraço e dizem uma frase de tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.
Onde e como andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu? Cadê aquele cheirinho de leite sobre a pele? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços, amiguinhos e o primeiro uniforme do maternal?
Ela está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça. Ali estão muitos pais, ao volante, esperando que saiam esfuziantes sobre patins, cabelos soltos sobre as ancas. Essas são as nossas filhas, em pleno cio, lindas potrancas.
Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão elas, com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros ou, então com a suéter amarrada na cintura. Está quente, a gente diz que vão estragar a suéter, mas não tem jeito, é o emblema da geração.
Pois ali estamos, depois do primeiro e do segundo casamento, com essa barba de jovem executivo ou intelectual em ascensão, as mães, às vezes, já com a primeira plástica e o casamento recomposto. Essas são as filhas que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias e da ditadura das horas. E elas crescem meio amestradas, vendo como redigimos nossas teses e nos doutoramos nos nossos erros.
Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.
Longe já vai o momento em que o primeiro mênstruo foi recebido como um impacto de rosas vermelhas. Não mais as colheremos nas portas das discotecas e festas, quando surgiam entre gírias e canções. Passou o tempo do balé, da cultura francesa e inglesa. Saíram do banco de trás e passaram  para o volante de suas próprias vidas. Só nos resta   dizer “bonne route, bonne route”, como naquela canção francesa narrando a emoção do pai quando a filha oferece o primeiro jantar no apartamento dela.
Deveríamos ter ido mais  vezes à cama delas ao anoitecer para ouvir  sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de colagens, posteres e agendas coloridas de pilô. Não, não as levamos suficientemente ao maldito “drive-in”, ao Tablado para ver “Pluft”, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas merecidas.
Elas cresceram sem que esgotássemos nelas todo o nosso afeto.
No princípio  subiam a serra ou iam à casa de  praia entre embrulhos, comidas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscinas e amiguinhas. Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de sorvetes e sanduíches infantis. Depois chegou a idade em que subir para a casa de campo  com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma aqui na praia e os primeiros namorados. Esse exílio  dos pais, esse divórcio dos filhos, vai durar sete anos bíblicos. Agora é hora de os pais na montanha  terem a solidão que queriam, mas, de repente, exalarem contagiosa saudade daquelas pestes.
O jeito é esperar. Qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso, os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável afeição. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.
Por isso, é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que elas cresçam.



Um pouco sobre o autor: Nasceu em Belo Horizonte em 1937, ainda vive e é teórico, poeta, cronista, professor, administrador cultural e jornalista. Recebeu algumas das principais comendas brasileiras como Ordem Rio Branco, Medalha Tiradentes, Medalha da Inconfidência, Medalha Santos Dummont. É casado com a também escritora Marina Colasanti.